A Câmara Municipal de Americana realizou na quinta-feira (9) uma audiência pública para debater o combate à violência sofrida por profissionais da área da saúde e divulgação da campanha “Saúde SIM, Violência NÃO”, desenvolvida pelo Sinsaúde (Federação Paulista da Saúde).
A audiência foi realizada em atendimento a um requerimento do vereador Juninho Dias (PSD). Participaram os vereadores Juninho Dias, Levi Rossi (PRD) e Professora Juliana (PT), o diretor do Sinsaúde – subsede de Americana, Otoniel Matos, a vice-presidente do Sinsaúde Campinas e região, Juliana Machado, o diretor de planejamento da secretaria municipal de Saúde, Rodrigo Leon, a conselheira do Coren-SP Bruna Busnardo e a psicóloga Dra. Ana Claudia Vieira Bessa.
Durante o uso da palavra o vereador Juninho Dias, presidente da audiência, destacou a importância da discussão do tema. “A iniciativa da realização dessa audiência surgiu após ser procurado pela instituição que alertou sobre o cenário atual de violência contra os profissionais de saúde. Este tema precisa ser atendido com seriedade e respeito. Acolhemos essa solicitação porque entendemos a relevância desse assunto e a necessidade de abrir esse espaço de escuta e construção coletiva. Quem dedica a vida a cuidar das pessoas não pode trabalhar com medo, sofrer ameaças e lidar com nenhum tipo de violência. Hoje é o momento de ouvir quem vive essa realidade todos os dias, entender as dificuldades e discutir caminhos para garantir mais segurança, valorização e melhores condições de trabalho para os profissionais da saúde”, afirmou Juninho.
Otoniel Matos comentou a importância do tratamento igualitário entre os profissionais de saúde da rede privada e pública. “Estamos aqui para buscar alternativas para essas pessoas que sofrem violência física, verbal e psicológica diariamente, na maioria das vezes agredidas pelos próprios populares, pacientes e seus familiares. Nós sabemos que já existem leis para proteger os profissionais da saúde da rede pública concursados. A nossa luta é para que essas medidas se estendam aos profissionais da rede privada ou terceirizados”, disse.
Juliana Machado abordou que as condições de trabalho são diretamente relacionadas aos problemas que geram os casos de agressão. “A violência contra esses profissionais não é um caso isolado. Sete em cada dez trabalhadores relatam ter sofrido agressões. Essa realidade não pode ser naturalizada, os trabalhadores não podem conviver com o medo e cansaço com a sensação de impunidade. Não se trata apenas de episódios pontuais, mas de um ambiente marcado pela sobrecarga e falta de estrutura. Essa reflexão traz urgência para o debate e a criação de políticas públicas para efetivamente proteger nossos trabalhadores”, discursou.
Durante sua fala, Bruna Busnardo apresentou uma pesquisa realizada pelo Coren no ano de 2025 que reuniu dados sobre os tipos de violência ocorridos no ambiente profissional. “Como conselheira do Coren, moradora de Americana e atuante como enfermeira na emergência, essa rotina me permite acompanhar de perto uma realidade da nossa região e os desafios que fazem parte do atendimento da saúde. Quem trabalha na enfermagem está acostumado a lidar com situações difíceis como a dor, angústia e ansiedade de quem busca atendimento. Temos empatia nesses momentos, mas com certeza a violência não melhora essa situação, isso só causa mais medo, estresse e mais demora. Quase 90% da enfermagem é composta por mulheres, portanto essa violência é também uma violência de gênero”, afirmou.
Dr. Ana Claudia Vieria Bessa refletiu sobre a mudança no comportamento da população após a pandemia da Covid-19 na relação com os profissionais da área da saúde. “Há cinco anos fomos reconhecidos como heróis, quando durante a pandemia a enfermagem estava na linha de frente encarando os duros momentos de dificuldades, transtornos emocionais e luto, fomos aplaudidos, mas por pouco tempo. A área da saúde é essencial, porém o cenário que observamos é que a violência contra esses profissionais só aumenta. Isso é muito preocupante, a população como um todo vive em descontrole emocional, um momento em que as pessoas não têm mais paciência e nesse ambiente esperar causa conflito. Precisamos rever a carga horária desses profissionais, pois o modelo atual já causa muito estresse, afinaldeixamos nossa casa e familiares para cuidar de um ente querido de alguém, nos dedicamos o tempo todo para essa jornada fora de casa. É o momento também de conversarmos com as instituições para criarem protocolos de atendimentos psicológicos para os profissionais e de apoio psicológico”, relatou.
O vereador Levi Rossi demonstrou preocupação com os dados apresentados e disse que está disposto a colaborar com o movimento. “Considerando que os profissionais exercem um papel muito importante para a sociedade, os números apresentados aqui me surpreendem. Os quase três mil profissionais da enfermagem e todos os outros que trabalham em instituições de atendimento precisam ser ouvidos para construirmos melhores condições de trabalho. Estou disposto a me unir a essa causa para conscientizarmos a população que os problemas que podem ocorrer no atendimento não estão ligados diretamente a esses profissionais”, comentou.
Professora Juliana apontou como o trabalho do poder legislativo pode auxiliar no entendimento dos problemas e na intermediação para evoluções da pauta. “Essa audiência é fundamental para debatermos essa situação. Temos frequentemente cobrado a administração municipal por meio de requerimentos e indicações. Atualmente busco saber mais informações sobre a aplicação para os profissionais de Americana da NR-1, que estabelece as diretrizes gerais e o gerenciamento de riscos ocupacionais com foco na saúde mental. Diante dos números apresentados, observamos que não é somente o paciente que pode gerar uma situação de violência aos trabalhadores, já que em alguns momentos essas agressões podem vir da própria organização interna da instituição. Outro ponto que chama a atenção é que grande parte das pessoas não denuncia a violência sofrida por diversos motivos, o que dificulta a resolução do problema. Precisamos de orientação e conscientização da população, mas de maneira clara e objetiva”, disse a vereadora.
Rodrigo Leon destacou que levantamentos mais precisos sobre os casos de violência, são necessários para nortear as discussões sobre o tema e para a elaboração de políticas públicas efetivas. “Interessante observar que apesar dos dados apresentados pelo Coren, não temos nenhum mecanismo oficial de registro de violência em relação aos profissionais de saúde, dessa forma não conseguimos mapear esses casos. Temos uma subnotificação altíssima desses casos e por conta disso não conseguimos fazer uma correlação com o número de afastamentos desses profissionais. É necessário estabelecer métodos para o acolhimento das vítimas de uma maneira que outras áreas como a segurança pública também esteja envolvida”, concluiu.
Publicado em: 10 de abril de 2026
Publicado por: Coordenadoria de Comunicação
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Categoria: Notícias da Câmara
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